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A DOR CRÔNICA

 

 

Considerado, hoje, o quinto sinal vital (os outros são a pressão arterial, temperatura, frequências cardíaca e respiratória), a dor é um dos sintomas mais comuns, dramáticos e desafiadores na prática da medicina. Apesar de ser um sinal de alerta de que algo está errado, a dor é uma experiência muito subjetiva, variando sua expressão de acordo com os aspectos culturais, de gênero e emocionais. Na dor crônica, quando esta tem duração de meses a anos, o sistema nervoso central desenvolve uma “memória”, a partir da qual a dor pode persistir mesmo com a eliminação do fator causal. Está instalada uma situação potencialmente geradora de um verdadeiro caos, na medida em que a dor passa a controlar a vida das pessoas, direcionando e limitando suas atividades.

A dor crônica não vem sozinha, mas pode trazer consigo insônia, ansiedade, depressão, fadiga, redução do interesse sexual, afastamento social, prejuízo no trabalho e redução na autoestima. Em idosos, a dor crônica compromete a qualidade de vida e autonomia para as atividades diárias. Além disso, muitos idosos deixam de procurar assistência médica por acreditarem que a dor faça parte do próprio processo de envelhecimento.

O diagnóstico dos quadros de dor crônica passa por um exame médico minucioso, que inclui a história da pessoa com suas experiências e tratamentos realizados para a dor, além da realização de exames laboratoriais e de imagem que auxiliam na confirmação de algumas enfermidades. Considerando que, pela sua complexidade, a dor crônica já é vista como doença e não só como um mero sintoma, o tratamento deve ir mais além do que o remédio.

Para apagar a memória criada pela dor no cérebro e a pessoa melhore sua qualidade de vida, além das medicações e tratamento realizado por outros profissionais (fisioterapia, psicologia e terapia ocupacional), espera-se em primeiro lugar que haja uma mudança de atitudes em relação à dor por parte do próprio paciente. Ficar incessantemente pensando ou dizendo que a dor não melhora ou que não merece senti-la só estará colaborando com a manutenção da dor e sua memória. Um estudo japonês mostrou que enquanto pessoas saudáveis se submeteram a ouvir palavras que remetem à dor (ai,ai,ai, por exemplo), as áreas cerebrais relacionadas à dor foram ativadas como se estivessem verdadeiramente sentindo dores.

Um grande exemplo de atitude positiva diante da dor é a biografia do pintor francês August Renoir. Mestre da pintura impressionista, Renoir viveu no século XIX e sofria de artrite reumatóide, doença que lhe causava dores e deformidades, fazendo com que os pincéis tivessem que ser amarrados às mãos. Mas apesar de todas as limitações físicas, Renoir, mesmo acamado, pintou até os últimos dias de vida e nos deixou uma frase célebre: “A dor passa mas a beleza permanece”. A arte foi, certamente, o mais potente analgésico do grande artista.

NO MEIO DO CAMINHO HAVIA UMA QUEDA

 

Qualquer pessoa que começa a cair e, principalmente, um idoso, tem que receber uma boa avaliação médica. Cair repetidamente não énormal. Pelo contrário, a queda sinaliza que algo está errado. Sabe-se que um terço dos idosos cai ao mínimo uma vez ao ano, e que aqueles que já caíram têm mais risco de sofrerem uma nova queda. Cair pode ser fatal, mas quando não, pode levar a sérias consequências. São lesões graves como fraturas e traumas cranianos, a perda da independência, o risco de complicações como tromboses e embolias, e a própria imobilidade, podendo aumentar o risco de infecções e escaras.Devemos lembrar ainda que a queda pode gerar na pessoa o medo de cair novamente e, por conta disso, muitos idosos não conseguem sair de casa sem estar acompanhados. Como falava anteriormente, a queda é vista como um evento sentinela, ou seja, é como se ligasse um sinal de alerta. E as causas são inúmeras. O próprio envelhecimento pode predispor a quedas, por vários motivos, como a redução de força muscular, e é sabido que conforme se envelhece aumenta o risco de cair. Vários problemas apresentados pelo idoso, como tonturas, quedas de pressão, perda de massa e fraqueza muscular, e doenças como artrose e Parkinson são grandes responsáveis por quedas. Medicamentos também são grandes vilões, como muitos “calmantes”,que causam tontura e desequilíbrio. O ambiente também pode oferecer riscos. E é o próprio domicílio o local onde mais se cai, com degraus, pisos escorregadios, tapetes, objetos espalhados e falta de iluminação. A prevenção é sempre o melhor caminho. A visita regular ao seu médico é essencial. E como são muitas as causas e possibilidades, a avaliação precisa ser ampla. Alguns exames podem ser necessários, como a investigação de osteoporose, uma doença sem sintomas, que aumenta muito o risco de fraturas, mas que tem tratamento. O exercício físico exerce papel muito importante no tocante à prevenção, tanto os aeróbicos, como caminhadas, e principalmente os resistidos, como musculação, que atuam melhorando massa e força muscular. E não esqueçamos de uma alimentação saudável e com um aporte adequado de proteínas, essencial aos músculos, e dos alimentos ricos em cálcio como leite e derivados. A vitamina D seja através da exposição ao sol ou da tomada de suplementos tem o seu lugar, pois atua nos ossos e músculos, porém necessita de avaliação médica para melhor orientação da indicação e maneira de tomar. E assim vamos nos livrando das quedas e suas consequências.

ALZHEIMER E A LENDA DA FLOR

 

 

Quando o médico alemão Alois Alzheimer descreveu há 105 anos a doença que, hoje, leva seu nome, certamente não imaginava a dimensão do impacto que ela teria nos anos vindouros. Considerando que a população brasileira envelhece rapidamente, e que a idade é o principal fator de risco para a Doença de Alzheimer, é de se esperar que este seja um diagnóstico cada vez mais comum no consultório do geriatra. Estima-se que, a cada ano, cerca de 100 mil novos casos são diagnosticados no Brasil.

Além da memória, a Doença de Alzheimer compromete outras funções cerebrais como: linguagem, orientação e raciocínio, podendo ainda causar graves alterações no comportamento. Sua evolução é crônica e ocorre em etapas; desde a fase inicial, em que o paciente “parece” estar muito bem, até a fase avançada, quando o mesmo pode estar acamado, sem falar e se alimentando por sonda.

Infelizmente, o diagnóstico tem sido muito tardio, pois tanto idosos quanto seus familiares tendem a atribuir as queixas de memória ao próprio envelhecimento. Perde-se, então, a oportunidade do início precoce do tratamento e de se preservar por mais tempo a capacidade do indivíduo de realizar suas atividades do dia a dia. O diagnóstico se baseia numa boa entrevista com o paciente e seus familiares, em testes que visam avaliar as funções mentais, além de exames para descartar outras doenças.

Mas antes que eu esqueça: Conhece a lenda da flor Miosótis? Trata-se de uma flor de origem russa, comum no sul do Brasil, e que possui um nome popular muito interessante.

Diz essa lenda que um guerreiro e sua amada estavam passeando às margens de um rio quando avistaram a tal flor sobre as águas. Imediatamente, o guerreiro decidiu mergulhar para apanhar a flor, porém, por estar vestido com uma armadura, o homem começou a se afogar. Antes de desaparecer nas águas, o homem gritou à amada: “Não me esqueça”. E, desde então, a partir desse grito de desespero - “não me esqueça” passou a ser o nome popular da flor Miosótis, que nos remete aos sentimentos envolvidos na relação da pessoa com a Doença de Alzheimer e seu cuidador. “Não me esqueça” reflete tanto a tristeza quanto a solidão do cuidador ao perceber que seu familiar vai progressivamente perdendo a memória e a identidade, e ao mesmo tempo é a voz silenciosa ou quase muda de alguém, cuja doença pede cuidados.

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IDOSO E CANSAÇO: NORMAL OU PROBLEMA?

 

 

Uma das queixas mais comuns em idosos é o cansaço. Não falo da falta de ar, mas sim daquele desânimo, fraqueza e intolerância para as atividades simples do dia-a-dia.Ao invés de achar que o cansaço faz parte do envelhecimento e sair tomando vitaminas, o idoso deve procurar assistência médica, preferencialmente o geriatra.

O leque de possibilidades é imenso quando se fala em cansaço. É claro que uma vida cheia de atividades, dentro e fora de casa, pode nos causar cansaço no final do dia. Da mesma forma, asnoites mal dormidas, o estresse ou qualquer tipo de infecção, como uma gripe, podem também levar as pessoas a se sentirem cansadas.

Mas quando esse cansaço se mantém mesmo nos períodos de descanso, permanecendodurante todo o dia, por meses ou anos e prejudicando as atividades habituais, aquilo que parecia normal pode estar realmente ocultando alguma doença que necessita ser investigada. O cansaço pode ser decorrente de anemias,como aquelas por deficiência na alimentação, câncer, doença renal crônica e perdas ocultas ou visíveis de sangue nas fezes. Chama a atenção o fato de que muitos idosos vão abandonando algumas refeições, geralmente o jantar, ou substituindo-as por sopas pouco nutritivas, seja por medo de engordar, por acharem que não dormirão à noite ou porque precisam acompanhar a rotina da família. Isto vai levando a um ciclo vicioso muito comum na geriatria, onde a redução na alimentação pode levar a uma acentuada perda de peso, que leva a perda de massa e força muscular, que leva a cansaço e sedentarismo, que leva à diminuição do apetite, e assim entrando novamente

neste ciclo que chamamos de fragilidade.

As deficiências vitamínicas podem sim serem causas de cansaço em idosos. Destaco a deficiência de vitamina D, muito comum em idosos que não se expõem ao sol, que é sua maior fonte. Esta vitamina é alvo de muitos estudos na atualidade, estando muito envolvida principalmente na saúde óssea e muscular, inclusive atuando na prevenção de quedas. Alterações hormonais também podem causar cansaço em idosos, com destaque para os distúrbios da tireóide, bem como os fenômenos da menopausa e andropausa. Sabemos ainda que muitas doenças, quando aparecem em idosos, podem apresentar sintomas diferentes da sua manifestação em jovens. Assim é com os distúrbios do humor, como a depressão, que muitas vezes causam mais sintomas físicos, como cansaço e dores, do que tristeza. Os idosos geralmente tomam muitos medicamentos e o cansaço pode ser um efeito colateral de remédios para hipertensão, depressão e ansiedade, dentre outros. Mas lembre-se que esses medicamentos só podem ser retirados após avaliação médica cuidadosa.

Enfim, é importante que os idosos, além da visita regular ao geriatra, mantenham hábitos de vida saudável. Na alimentação, tomando-se os devidos cuidados com relação ao sal, açúcar e gorduras nos hipertensos e diabéticos, é fundamental que não se pule refeições e que estas contemplem todos os nutrientes, com destaque para as proteínas

presentes em carnes e leites. Como os idosos sentem menos sede, os mesmos devem ser lembrados de beber água, evitando a desidratação, que também é causa de cansaço.A atividade física aumenta e fortalece a massa muscular, melhora o condicionamento físico e a disposição para as atividades. A exposição ao sol, nas primeiras horas da manhã e final da tarde, sem o filtro solar, vai facilitar a ação da vitamina D, que ajuda na absorção de cálcio e atéprevine quedas.

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DESAFIOS E COMPROMISSOS DA GERIATRIA

 

 

Pneumonia sem ter febre. Infarto sem dores no peito. Pacientes fazendo uso de uma longa lista de remédios. Este é um retrato fiel de como as doenças podem se manifestar nos idosos e a constatação de que estes têm em média um maior número de enfermidades. Assim, as várias particularidades encontradas no idoso exige de seu médico habilidades também especiais, tornando seu trabalho algo,

muitas vezes, desafiador.

Neste sentido, um dos principais compromissos da Geriatria é realizar uma avaliação ampla, que contemple os aspectos biológicos, psíquicos, sociais e, principalmente, os aspectos funcionais, ou seja, a avaliação da independência e da capacidade de tomar decisões por este indivíduo. Esta talvez seja a grande questão em Geriatria: proporcionar qualidade de vida através do máximo grau de independência possível, não importando quantas doenças este idoso possui. Acredita-se que até mesmo em situações extremas, como nos pacientes terminais, é sempre plausível proporcionar alívio, contrapondo as falas comuns de que “não se tem nada pra fazer”.

Os problemas mais encontrados em pessoas de idade avançada são a imobilidade, a falta de equilíbrio, as perdas involuntárias de urina, a confusão mental e a iatrogenia. A imobilização, que é a incapacidade de se deslocar sem auxílio de outra pessoa, pode provocar atrofias, rigidez, escaras e risco para a instalação de pneumonia. A falta de equilíbrio pode ter como causas as vertigens, artroses e o medo de cair. As perdas involuntárias de urina e fezes devem ser investigadas com o objetivo de um tratamento adequado, pois traz dignidade ao indivíduo. A confusão mental precisa ser abordada no sentido de se diagnosticar as demências, particularmente, a Doença de Alzheimer, hoje cada vez mais freqüente. Já a iatrogenia em Geriatria se caracteriza pelos danos provocados pelo uso de medicamentos em idosos, pela tentativa de se tratar todos os sintomas com drogas, e mesmo os conceitos equivocados como “o problema é da velhice” ou rotular como Alzheimer todo esquecimento que o paciente apresente.

O trabalho do médico que cuida de idosos vai, no entanto, além da prescrição de medicamentos. É essencial não perder de vista as atitudes de prevenção e promoção de saúde, que deve começar até antes dos 60 anos, visando ao envelhecimento bem-sucedido. Devemos nos dedicar às orientações a cerca de alimentação saudável, prática de atividade física e intelectual, vacinações, prevenção de quedas e um olhar especial para o cuidador, outro ponto fundamental. O médico, porém, não deve estar sozinho. Ele deve contar com uma equipe multiprofissional formada por assistente social, enfermeiro, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, odontólogo, psicólogo e terapeuta ocupacional, que vão se interagir visando ao melhor cuidado

para o idoso e seus familiares.

INSÔNIA EM IDOSOS

 

 

Segundo a Associação Brasileira do Sono, insônia é a dificuldade para iniciar ou manter o sono, ou a presença de despertar precoce. Apesar de ser uma queixa muito subjetiva,a literatura médica define insônia quando tais alterações causam alguma repercussão no dia seguinte, ou seja, sintomas como sonolência, cansaço, fadiga ou dificuldade de concentração, por exemplo. Em idosos, a insônia é um problema comum, porém menos prevalente do que se imagina. Estudos realizados mostram que, em cada dez idosos, cerca de seis apresentam insônia, sendo mais comum em mulheres, separadas e viúvas.

Apesar de não podermos considerar que a insônia é algo normal na velhice, existem sim alterações na arquitetura do sono que são esperadas nesta faixa etária. Durante o sono, há uma alternância contínua entre fases superficiais, reparadoras e profundas, e se observa que o idoso, diferente de pessoas adultas, passa um período de tempo maior nas fases superficiais, um tempo menor em fases reparadoras, além de ter menos estágios profundos de sono. Tudo isso faz com que o idoso tenha uma tendência a um sono mais superficial e menos reparador, despertando mais vezes. Porém, isso não justifica toda a problemática da insônia no idoso, que na grande maioria dos casos está associada a doenças médicas e psiquiátricas, e também a problemas respiratórios relacionados ao sono, uso de medicamentos e hábitos inadequados referentes ao ato de dormir. Muitas vezes, o tratamento de uma dor crônica ou a retirada ou mudança no horário de alguma medicação resolvem a insônia. Outras vezes, a insônia associada a um quadro de agitação, vai levar ao diagnóstico da doença de Alzheimer, e o tratamento desta demência pode também melhorar a alteração de sono. Da mesma forma, o tratamento de distúrbios como depressão e ansiedade, tão comuns na prática do geriatra, pode melhorar e muito a qualidade de sono do idoso. Muito importante também são as mudanças comportamentais que podem melhorar o sono: ir para a cama e dormir apenas quando estiver com sono; evitar cafeína, fumo e álcool antes de dormir; realizar alguma atividade física durante o dia, mas não muito próximo do horário de dormir; exposição à luz durante o dia e evitar cochilos longos.

Sabe-se que a insônia pode ter um grande impacto na vida do idoso e de seus familiares, e daí a importância do tratamento adequado. Estudos científicos têm mostrado que pessoas que dormem mal têm maior incidência de depressão, ansiedade, dependência de álcool e medicamentos, problemas com atenção e memória e quedas. Infelizmente não existe um indutor de sono ideal para o idoso e o tratamento medicamentoso para insônia vai depender de uma avaliação que contemple os diagnósticos e todos os riscos.

OSTEOPOROSE

 

 

 

A osteoporose é uma doença esquelética crônica e progressiva, de origem multifatorial, que acomete idosos, principalmente após a menopausa.

Caracteriza-se por resistência óssea comprometida, levando a aumento do risco de fratura, dor, deformidade e incapacidade física.

A incidência a partir da oitava década é de 50% para mulheres e 20% para homens. A diferença se deve mais ao tamanho do que a densidade (o osso masculino é maior) e queda dos hormônios na menopausa. A morbidade pós-fratura e mortalidade, no entanto, é mais comuns em homens.

Quanto às fraturas, na quinta década predomina a fratura de punho, ocorrendo quando o idoso tenta diminuir o impacto da queda; na sexta década predomina

a fratura vertebral, decorrente de traumas mínimos, como o ato de se sentar, mas causando dores agudas, intensas e duradouras, e na sétima década a de fêmur.

As últimas são as mais graves, traumáticas, com maior mortalidade.

O osso é um tecido dinâmico, em constante remodelação realizado por osteoblastos (células responsáveis pela formação óssea) e osteoclastos (responsáveis pela reabsorção). A remodelação ocorre na face interna do osso, sendo mais intenso no chamado osso trabecular. A osteoporose se instala quando o processo de reabsorção suplanta a formação.

Dentre os fatores de risco para osteoporose temos: mulher, baixa massa óssea, fratura prévia, raça asiática ou caucasiana, idade avançada, historia materna de fratura de fêmur proximal ou osteoporose, menopausa precoce não tratada e uso de corticóides. A atividade física protege contra a osteoporose.

Geralmente a osteoporose é assintomática e os pacientes tomam conhecimento quando ocorre uma fratura ou é feito um raio-X ou a densitometria óssea.

A densitometria é hoje considerada padrão-ouro no diagnóstico de osteoporose.

A prevenção da osteoporose é feita com nutrição adequada (dieta rica em cálcio como leite e derivados, peixe, verduras como espinafre, brócolis e folhas escuras, evitar consumo excessivo de café) e bons hábitos de vida (abolir tabagismo

e evitar consumo excessivo de álcool, realizar atividade física aeróbica e exercícios resistidos como musculação).

Quanto ao tratamento, além da suplementação de cálcio, podem ser empregadas medicações que atuam reduzindo a reabsorção óssea ou

estimulando a formação óssea.

 

BIBLIOGRAFIA

Tratado de Geriatria e Gerontologia

7 DICAS PARA ENVELHECER COM QUALIDADE DE VIDA

 

 

Todos nós envelheceremos, isso é fato. Mas como iremos envelhecer é uma questão muito individual, que depende principalmente de nossas escolhas, atitudes e hábitos, enfim, do nosso estilo de vida. Existe uma lei universal que diz: tudo que plantar, colherá. E para envelhecer bem é preciso escolher “boas sementes para semear”, e o quanto antes. Sempre ouvimos dos nossos pacientes como é complicado e até sofrível envelhecer. Porém, velhice não é doença, ela simplesmente se dá como resultado de como vivemos durante toda a vida. Neste artigo você vai encontrar 7 dicas para envelhecer bem, seja você jovem, adulto ou idoso.

 

1. Amor à vida

Tenha prazer em viver, afinal a vida é única e passa muito rapidamente. Aproveite ela da melhor maneira, cada instante, e não permita que sua idade seja um impedimento para fazer aquilo que gosta. Não pare de sonhar,pois sonhos são combustíveis para nossa caminhada.

 

2. Apoio da família e amigos

A solidão é algo que tem sim seus benefícios, pois é importante momentos para encontrarmos com nós mesmos. Mas os estudos mostram queos contatos sociais, o engajamento em atividades ou gruposmelhoram a auto-estima, previnem a depressão e são protetores contra doenças como o Alzheimer.

 

3. Atividade física regular

Os benefícios são vários como prevenção das doenças cardiovasculares, perda de peso, melhora da força e massa muscular e óssea, prevenção de fraturas osteoporóticas, melhora da auto-estima, proteção contra Alzheimer e demências secundárias à doença dos vasos sanguíneos cerebrais. É preciso sair da zona de conforto, a perigosa zona de conforto do sedentarismo.

 

4. Abstinência de vícios

Abandonar e/ou tratar a dependência do uso de drogas (álcool, tabaco e drogas) traz vantagens em qualquer fase da vida. Todas estas substâncias aumentam o risco de câncer e doenças cardíacas, podendo fragilizar o idoso e interromper precocemente a vida. Há ainda o dano social gerado, como ocorre com o alcoolismo e a drogadição, que devasta as famílias, e o próprio tabagismo, capaz de prejudicar a saúde daqueles que fumam de maneira passiva.

 

5. Adaptar-se

Qualquer animal para sobreviver em determinadas condições precisa se adaptar. Com o ser humano é parecido. Lembretes podem ajudar o cérebro a se lembrar, óculos e bengalas podem evitar quedas e fraturas graves, manter e procurar melhorar a qualidade da atividade sexual pode compensar uma redução na frequência das relações e aceitar a presença de um cuidador quando está mais dependente pode trazer enormes benefícios.

 

6. Alimentação saudável

Cada vez mais os estudos científicos têm demonstrado que o excesso de açúcares e gorduras, além de prejudicarem a saúde cardiovascular, também estão envolvidos com o câncer e com o Alzheimer. Por outro lado, tem se demonstrado os benefícios de uma

alimentação baseada em frutas, folhas, cereais integrais, castanhas, azeite,suco de uva ou vinho (um cálice e não uma taça) e carne branca.

 

7. Apagar as mágoas

A mágoa atua em nossas vidas como um ladrão das nossas energias, um corpo estranho que insiste em perturbar, gerando sentimentos de culpa, revolta etristeza. Trata-se de uma carga muito pesada pra carregarmos por toda uma vida. Livrar-se dela nos livra da depressão, da solidão e de uma série de doenças.

DEPRESSÃO EM IDOSOS

 

Quase 20% das pessoas com mais de 65 anos apresentam sintomas depressivos

e cerca de 40% daqueles com mais de 85 anos têm depressão. Dentre os idosos com demência (como a Doença de Alzheimer), 36% apresentam quadro de depressão leve a moderada. Devido à redução da auto-estima e ao estigma social causados pela depressão, a maioria não procura ajuda médica. Assim, cerca de metade dos casos de depressão em idosos permanece sendo pouco diagnosticada, embora seja uma condição com alto risco de suicídio.

Nos Estados Unidos, as pessoas com mais de 65 anos cometem 19% dos suicídios e em 93% dos casos, há histórico de desordem depressiva em comorbidade com alguma doença causadora de dor.

Idosos podem sofrer de todas as formas de depressão, no entanto,

sua apresentação clínica difere dos adultos, mostrando-se predominantemente com ansiedade, insônia, prejuízo cognitivo (como alterações de memória), desânimo, agitação e menos evidência de sintomas de domínio afetivo (relacionados ao humor).

Os fatores de risco para depressão são multifatoriais e envolvem o contexto

bio-psico-social, a saber: história familiar de depressão; uso de várias drogas (como benzodiazepínicos) ou abuso de substâncias como álcool; doenças somáticas

com incapacidade e/ou dor crônica; dano permanente da imagem corporal; isolamento social; luto recente; auto-estima reduzida, assim como problemas relacionados ao suporte social, dificuldade de viver em comunidade

ou necessidade de cuidados domiciliares. Em idosos, os sentimentos de frustração diante dos desejos de vida não realizados, as perdas sofridas

(do cônjuge, amigos, trabalho) e os mínimos e insuficientes recursos provindos

da aposentadoria predispõem a quadros depressivos.

As desordens depressivas no idoso, de acordo com as manifestações clínicas, podem pertencer aos seguintes grupos:

-Biológica: inicio precoce, espectro bipolar, depressão melancólica,

psicótica e atípica.

-Psico-reativa: inicio tardio, perdas relevantes, condições estressantes persistentes como isolamento, incapacidade ou condição médica grave.

-Mista (biopsíquica): depressão pós-AVC (derrame cerebral), efeitos adversos

de medicamentos; depressão em um quadro de demência inicial e na doença

de Parkinson.

-“Pseudodemência depressiva”, sintomas temporários e reversíveis dentro

do domínio psicológico da demência.

O tratamento visa melhorar a qualidade de vida do idoso. Inicialmente,

é necessário afastar doenças ou medicamentos que possam estar

desencadeando o quadro depressivo, bem como possíveis fatores psicossociais (como luto ou abandono) envolvidos. O tratamento compreende psicoterapia, atividade física regular e o uso de anti-depressivos nas situações

com maior repercussão clínica.

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